terça-feira, 31 de maio de 2011

Lamartine Babo e os hinos mais populares de Flamengo e Fluminense


(fonte caricatura: Glen Batoca)

No ano de 1949, o compositor Lamartine Babo, fanático torcedor do América e um dos mais populares compositores de seu tempo, recebeu a encomenda de compor os  hinos dos onze participantes do Campeonato Carioca de Futebol.

Com a sua infinita inspiração e o patrocínio do programa de rádio ‘Trem da Alegria’, Lalá escreveu em apenas um dia os mais populares hinos de Flamengo e Fluminense.

No hino do Flamengo há a expressão que certamente ajudou na consolidação mítica do clássico ´Fla-Flu´, que, segundo o compositor, seria um “Ai, Jesus!”.


Hino Flamengo

Uma vez Flamengo
Sempre Flamengo

Flamengo sempre eu hei de ser
É o meu maior prazer
Vê-lo brilhar
Seja na terra
Seja no mar
Vencer, vencer, vencer
Uma vez Flamengo
Flamengo até morrer
Flamengo
Sempre Flamengo
Flamengo sempre eu hei de ser
É o meu maior prazer
Vê-lo brilhar
Seja na terra
Seja no mar
Vencer, vencer, vencer
Uma vez Flamengo
Flamengo até morrer
Na regata ele me mata
Me maltrata, me arrebata
Que emoção no coração
Consagrado no gramado
Sempre amado, o mais cotado
No "Fla-Flu é o Ai, Jesus"
Eu teria um desgosto profundo
Se faltasse o Flamengo no mundo
Ele vibra, ele é fibra
Muita libra já pensou
Flamengo até morrer eu sou
É, eu sou

Hino Fluminense

Sou tricolor de coração
Sou do clube tantas vezes campeão
Fascina pela sua disciplina
O Fluminense me dominaEu tenho amor ao tricolor
Salve o querido pavilhão
Das três cores que traduzem tradiçãoA paz, a esperança e o vigor
Unido e forte pelo esporte
Eu sou é tricolor
Vence o Fluminense
Com o verde da esperança
Pois quem espera sempre alcança
Clube que orgulha o Brasil
Retumbante de glórias e vitórias mil
Sou tricolor de coração
Sou do clube tantas vezes campeão
Fascina pela sua disciplina
O Fluminense me domina
Eu tenho amor ao tricolor
Salve o querido pavilhão
Das três cores que traduzem tradição
A paz, a esperança e o vigor
Unido e forte pelo esporte
Eu sou é tricolor
Vence o Fluminense
Com sangue do encarnado
Com amor e com vigor
Faz a torcida querida
Vibrar com a emoção do tricampeão
Vence o Fluminense
Usando a fidalguia
Branco é paz e harmonia
Brilha com o sol da manhã
Qual luz de um refletor
Salve o tricolor

por Luiz Murillo Tobias e Bárbara Agra

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Fla-Flu no cinema

O FlaxFlu vai além do futebol. É um espetáculo que reúne alegria, empolgação, nervosismo e é demonstrado das mais diversas formas possíveis, sendo uma delas, o cinema.
O clássico já estampou a tela da cena nacional e internacional, sempre emocionando a todos, mesmo os não tão adeptos ao esporte. Confira a seguir nossa pequena lista de filmes sobre a disputa.
Alma e Corpo de uma raça
Alma e Corpo de uma raça é um filme nacional de 1938. Ele conta a estória de Luizinho, um menino pobre que ao sofrer um acidente em um FlaXFlu, é socorrido por um diretor do Flamengo. Futuramente, Luizinho é avisado que o clube custeará seus estudos.
Uma X Flamengo
Documentário nacional de 1980, Uma X Flamengo aborda o jeito de ser do carioca, tomando como referência o personagem Dom Pepe, motorista de taxi, malandro, sambista, frequentador assíduo do Maracanã e torcedor fervoroso do Flamengo. O filme se desenvolve em torno de uma decisão do FlamengoXFluminense.
Fala Tu
Lançando em 2004, Fala Tu é um documentário brasileiro que aborda a vida de três cariocas da Zona Norte, que batalham e sonham em trabalhar profissionalmente com música, sendo um dos personagens principais Macarrão, morador do morro do Zinco e torcedor do Fluminense.
Show de Bola
Um filme alemão que estreou no Brasil em 2008 e conta a estória de Thiago, residente em uma favela carioca que após testemunhar a morte do pai passa a dedicar sua vida ao futebol, tendo como meta jogar no Fluminense, acreditando ser a única esperança para sair da realidade violenta em que vive.
Flamengo-Fluminense
Filme alemão lançado em 2006, na terceira edição do Festival 11mm, dedicado ao futebol. Em sua sinopse, afirma-se que o Flamengo-Fluminense é mais que um jogo, é a alma do futebol brasileiro. Nele, o clássico é abordado em seu contexto social, cultural e político.

Les grands duels du sport: Flamengo-Fluminense
Documentário francês de 2003 que aborda a visão do diretor sobre a grande rivalidade dos dois times cariocas, tendo como palco o Maracanã e com depoimentos de Rivellino e Zico.

A paixão do torcedor é algo sem fim e como todos os sentimentos retratados no cinema, ela não se esgota.
Por isso, segundo a coluna do jornalista Ancelmo Gois, a produtora G7, especializada em produções cinematográficas, planeja criar um filme sobre o clássico que irá se chamar FlaxFlu, o filme.
Em breve, nos cinemas.
Fontes:
Portal Meu Cinema Brasileiro
Adoro Cinema
Interfilmes
Portal do Festival 11 mm
Portal do cineasta Pierre Goismier
O Globo

Por Carolina Lourenço e Luiza Martins

"Capitais do Futebol - Rio de Janeiro".

"Capitais do Futebol" é um documentário de quatro episódios, produzido para os canais ESPN em parceria com a Mastercard. Cada episódio retrata uma capital do futebol: Madri, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Milão, descrevendo a relação existente entre os locais mais importantes do planeta e o clássico de futebol que as identifica.

O terceiro episódio da série tem como o cenário o Rio de Janeiro, com o samba enquanto trilha sonora e suas belas praias como cenário. Na cidade, habitam dois times que travam uma histórica rivalidade - Flamengo e Fluminense.

Diversos personagens comentam sobre o clássico Fla x Flu, com entrevistas com personalidades como Zagalo, Deco, entre outros. O programa mostrar ainda os bastidores do carnaval e craques como Ronaldinho gaúcho, Petkovic e Ronaldo, o fenômeno.

O documentário foi produzido em HD, em parceria com a produtora argentina 100bares - a mesma que produziu o premiado filme "O segredo dos seus olhos", vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010.

O documentário se divide em 3 partes. Vale a pena conferir:







Por: Michele Campos

domingo, 29 de maio de 2011

HINOS do Fluminense! Hinos?!

Nem todos conhecem verdadeiramente o Hino do Fluminense, quer dizer “Hinos”.

'Sou tricolor de coração...' esse é o hino composto por Lamartine Babo na década de 40 e que toma conta da arquibancada em dias de vitória tricolor, mas não é o hino oficial.

O Fluminense possui um Hino Oficial, um Hino Popular e ainda teve um “Primeiro hino”.

O Primeiro Hino do Fluminense teve a letra composta em 1915 pelo romancista Coelho Netto. A letra foi composta sobre uma música tradicional da Inglaterra - 'It's a long, long way to Tipperary' de Harry Williams. E foi cantado pela primeira vez na solenidade de inauguração da 3ª sede do clube, dia 23 de julho de 1915. Essa versão teve vida curta por ter sido motivo de piadas por parte dos adversários.

O Primeiro Hino

O Fluminense é um crisol
Onde apuramos a energia
Ao pleno ar, ao claro sol
Lutando em justas de alegria
O nosso esforço se congraça
Em torno do ideal viril
De avigorar a nova raça
Do nosso Brasil !

Corrige o corpo como artista
Vida imprime à estátua augusta
Faz da argila uma robusta
Peça de aço onde a alma assista
Na arena como na vida
Do forte é sempre a vitória
Do estádio foi que a Grécia acometida
Irrompeu para a glória

Ninguém no clube se pertence
A glória aqui não é pessoal
Quem vence em campo é o Fluminense
Que é, como a Pátria, um ser ideal
Assim nas justas se congraça
Em torno dum ideal viril
A gente moça, a nova raça
Do nosso Brasil !

Adestra a força e doma o impulso
Triunfa, mas sem alardo
O herói é bravo mas galhardo
Tão forte d'alma que de pulso
A força esplende em saúde
E abre o peito à bondade
A força é a expressão viva da virtude
E garbo da mocidade

Escute:


Foi criado um Hino Oficial do Fluminense F.C. para substituir o hino acima por causa das piadas. Esse novo hino possui letra e música de Antônio Cardoso de Menezes Filho.

Hino Oficial do Fluminense F.C.
(Antônio Cardoso de Menezes Filho)

Companheiros de luta e de glória
Na peleja incruenta e de paz
Disputamos no campo a vitória
Do mais forte, mais destro e sagaz!

Nossas liças de atletas são mansas
Como as querem os tempos de agora
Ressuscitam heróicas lembranças
Dos olímpicos jogos de outrora

Não nos cega o furor da batalha
Nem nos fere o rival, se é mais forte!
Nossas bolas são nossa metralha
Um bom goal, nosso tiro de morte

Fluminense, avante, ao combate
Nosso nome cerquemos de glória
Já se ouve tocar a rebate
Disputemos no campo a vitória

Escute:


E enfim o Hino do Fluminense popular. A gravação original, histórica e rara, foi feita na década de 40 pelo “Trio Melodia”, que era formado por três tricolores famosos: Paulo Tapajós, Nuno Roland e Albertinho Fortuna, destaques da Rádio Nacional em sua época. O acompanhamento é da orquestra do maestro Lyrio Panicalli.

A gravação abaixo resgata a letra correta da marcha, alterada em diversas gravações posteriores, e recupera a terceira estrofe, relativa ao "branco", abandonada em muitas dessas outras gravações.

Hino do Fluminense Football Club (popular)
(Letra: Lamartine Babo - Música: Lyrio Panicalli)

Sou tricolor de coração
Sou do clube tantas vezes campeão
Fascina pela sua disciplina
O Fluminense me domina
Eu tenho amor ao tricolor

Salve o querido pavilhão
Das três cores que traduzem tradição
A paz, a esperança e o vigor
Unido e forte pelo esporte
Eu sou é tricolor

Vence o Fluminense
Com o verde da esperança
Pois quem espera sempre alcança
Clube que orgulha o Brasil
Retumbante de glórias
E vitórias mil

Vence o Fluminense
Com o sangue do encarnado
Com calor e com vigor
Faz a torcida querida
Vibrar de emoção o tricampeão

Vence o Fluminense
Usando a fidalguia
Branco é paz e harmonia
Brilha com o sol
Da manhã
Com a luz de um refletor
Salve o Tricolor

Escute:

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Mascote Rubro Negro

Foi em um Domingo, quando um torcedor rubro-negro resolveu levar a ave para um jogo entre o Flamengo e Botafogo no Maracanã. Na época, os dois clubes faziam o clássico de maior rivalidade pós-Garrincha. E o Flamengo não vencia o rival fazia quatro anos. Nas arquibancadas, os torcedores do Botafogo gritavam, como sempre, que o Flamengo era time de "urubu".


O urubu foi solto na arquibancada com uma bandeira presa nos pés, e quando caiu no gramado, pouco antes do jogo iniciar, a torcida fez a festa, vibrando e gritando: "é urubu, é urubu". O Flamengo venceu o jogo por 2 a 1 e, a partir daí, o novo mascote consagrou-se, tomando o lugar do Popeye. O cartunista Henfil, rubro-negro, tratou de humanizá-lo em suas charges esportivas em jornais e revistas, e o Urubu tornou-se um mascote popular.

Por Rosana Kelly.

O Mascote Fluminense


O mascote do Fluminense é o Cartola, cuja escolha está longe de simbolizar alguns dirigentes desonestos de hoje que usam seus clubes como trampolins sociais. O Cartola, mascote do Fluminense, objetiva mostrar a ligação do Fluminense com a nobreza e a fidalguia brasileiras.

É um cartola que usa fraque, traje que denotava refinamento, porque era fino, de educação superior e que só aceitava vencer em respeito às regras preestabelecidas. Esse Cartola é, sem dúvida, a mais perfeita síntese Tricolor.

O Cartola do Fluminense foi criado em 1943 pelo chargista argentino Mollas.


por Rosana Kelly.

domingo, 22 de maio de 2011

Lembranças do maior camisa 10 da história do Flamengo

Em entrevista exclusica, Zico conta qual é o Fla x Flu mais marcante de sua carreira. Memórias especiais para o Galinho, mas que fazem parte da história do clássico mais charmoso do Brasil. Confira no vídeo qual é a partida que o camisa 10 não esquece!




Quem quiser relembrar o Fla x Flu de 1986, um dos preferidos de Zico, ou ver pela primeira vez os três gols do Galinho contra o Fluminense, é só conferir o vídeo abaixo. A narração é de Oliveira Andrade.





Por Monique Danello

terça-feira, 17 de maio de 2011

A origem da expressão ´Fla x Flu´


A expressão ´Fla x Flu´ surgiu na década de 20. Segundo pesquisadores, no dia 9 de outubro de 1925 – data da publicação uma matéria no "O Jornal" que informava, com certo descrédito, sobre o selecionado de jogadores dos dois clubes que defenderia o Rio de Janeiro (até então Distrito Federal) no campeonato brasileiro de seleções. No entanto, a expressão só vem a se popularizar a partir de crônicas do jornalista Mário Filho - que dá nome ao estádio do Maracanã. Estádio que, a partir da década de 50, passou a ser o principal palco de jogos entre os dois clubes.


O campeonato brasileiro de seleções de 1925 acabou decidido em dois jogos. No primeiro jogo houve empate em um gol com o combinado paulista. O título veio no segundo jogo, disputado nas Laranjeiras, em 30 de setembro de 1925, quando a seleção ´Fla x Flu´ venceu os paulistas por 3 a 2, com gols de Moderato e Nilo (2). A histórica seleção jogou a final com Haroldo, Penaforte, Hélcio, Nascimento, Floriano, Fortes, Newton, Candiota, Nonô, Nilo e Moderato.

  por Luiz Murillo Tobias e Bárbara Agra
O Fla-Flu completará cem anos de histórias embaladas por alegrias, surpresas e muita força que caracteriza essas duas equipes. Dentro de  todos esses anos houve algumas personalidades que não podem ser esquecidas, que singularizam o amor a esses times que fizeram de um simples clássico historia , mostrando que futebol não é uma ciência exata, e sim um mistério, resolvido num âmbito desafiador do gramado.

 Ilustres personagens do centenário Fla- Flu. Representantes e amantes de ambas as equipes
Flamengo x Fluminense

Ary Barroso
"Por onde vai, o Rubro-Negro arrasta multidões fanatizadas. Há quem morra com o seu nome gravado no coração, a ponta de canivete. O Flamengo tornou-se uma força da natureza e, repito, o Flamengo venta, chove, troveja, relampeja."

Nélson  Rodrigues


“O Flamengo tem mais torcida, o Fluminense tem mais gente!”.
“Se o Fluminense jogasse no céu, eu morreria para vê-lo jogar”
Jorge Benjor
 "O  Toque de bola desse time é um encanto
Só existe gênio nesse meio de campo
Adílio de um lado, Carpegiane do outro
Manguito, Becão batendo até no pescoço
Na frente rei Zico com toque desconcertante
Lançou o Cláudio Adão que colocou no barbante
Flamengão"...

Pedro Bial
“Do lado esquerdo do peito, um pouco abaixo do radinho de pilha, o escudo protege o coração tricolor. E o escudo sorri. Não quero explicar esse sorriso. Não venham me falar de letras e ilusões infantis. Do alto da minha paixão, vivo eternos 11 anos de idade e o escudo me sorri sussurrante. O Fluminense é a minha terra do nunca. Sempre.”

Waschigton Rodrigues (Apolinho)
"Flamengo sempre, se houver 38 rodadas nas minhas apostas o Flamengo é sempre campeão invicto, sem empate, independente do adversário"

João Havelange (tricolor)
Sandra de sá
"Sou Flamengo de coração, de corpo inteiro" 

Mário Filho
"Por que o Flamengo tornou-se o clube mais amado do Brasil? Porque o Flamengo se deixa amar à vontade"

Ronaldo Bôscoli

"Amo o Flamengo como se fosse um pedaço da terra onde nasci".José Lins do Rêgo, escritor paraibano, autor de "Menino de Engenho", que foi diretor do Flamengo .


Romerito
"Minha maior alegria é ter jogado no Fluminense, o maior clube que eu conheci."

Zico
"Me orgulho de ter entrado para a galeria dos ídolos do Flamengo. Sou adorado pelos torcedores, respeitado pelos dirigentes. Afinal, ser ídolo em um clube que teve jogadores do nível de Dida, Dequinha, Zizinho e Leônidas, dentre outros, é fantástico. Os anos passarão, mas as lembranças, as alegrias, as conquistas ficarão gravadas em meu coração".  

Gilberto Gil
"Tricolor pela poesia, Tricolor pela beleza das cores, Tricolor pelo verde das matas, pelo branco das nuvens, pelo vinho, a cor do amor! Fluminense é isso, é amor, amor pelo Futebol, amor pela nação! Tricolor sou, Tricolor serei, até o fim da minha vida!"
                                                                        Júnior
"O Flamengo sempre será minha segunda casa e sua camisa, a segunda pele."
"Supõe-se que todas as alegrias se parecem. Mas a verdade é que a alegria rubro-negra não se parece com nenhuma outra. Não sei se é mais funda, ou mais dilacerada, ou mais santa. Só sei que é diferente."
"O sujeito que não for pelo menos um dia FLAMENGO não viveu. O FLAMENGO é uma força da natureza. Quando o FLAMENGO espirra, é o futebol brasileiro que fica resfriado.

 "O Fluminense não nasceu para ser unanimidade nem massa de manobra do interesse demagógico das elites opressoras. O Fluminense nasceu para atravessar a harmonia do bloco dos contentes. Nasceu para incomodar o senso comum. Essa é a nossa sina". (Autor desconhecido)

Flamengo                                                          Fluminense
Carlos Drummond de Andrade                        Elis Regina
Dias Gomes                                                    Nélson Mota
Zagalo                                                            Hugo Carvana
Fernanda Montenegro                                    Tom Jobim
Herbet Vianna                                                João Nogueira
Ziraldo                                                           Arthur da Távola
Grande Otelo                                             Paulo Henrique Amorim
Henfi                                                             Jô Soares
Walter Clarck                                                Letícia Spiller
Sérgio Bessermann                                        Caio Blat
Roberto Assaf                                               Dora Vergueiro
Caetano Veloso                                             Cartola 

Referências: O maior artilheiro rubro-negro: Zico 19 gols. O maior artilheiro tricolor: Hércules 15 gols.
Dados Inusitados:
Adílio marcou o gol da Taça Guanabara , de 1984 , no Fla- Flu das Diretas.
Assis foi o carrasco do Flamengo nos anos 80.
Nélio marcou o gol de calcanhar da vitória de 1991.
Renato Gaúcho marcou o famoso gol de barriga na Final do carioca de 1995.



Por: Juliana Souza , Alessandra Elias.

A origem do pó-de-arroz

Quem nunca ouviu alguém chamar um tricolor de pó-de-arroz, não é verdade? Muitos nem imaginam como surgiu esse termo, outros já ouviram a história, mas talvez não conheçam os detalhes. Em 1914, o América, grande rubro tijucano, se achava em grave crise, que o levou a perder dezenas de sócios, conselheiros e jogadores. Cerca de doze deles tomaram o caminho do Fluminense, entre os quais, os irmãos Carneiro de Mendonça: Fábio, Luiz Henrique e o grande Marcos. Nesse grupo, achava-se também Carlos Alberto Fonseca Neto. Carlos Alberto não era negro, mas um mulato claro, o primeiro a vestir a camisa tricolor. É simplório e equivocado se dizer que, “naquele tempo, havia racismo no Fluminense”, quando o problema era muito mais grave. O odioso preconceito de cor permeava toda a sociedade brasileira, de longa tradição escravagista, e se expressava, por exemplo, no comportamento de todos os clubes com sede na Zona Sul do Rio de Janeiro. Todos, sem exceção. Intimidado por esse ambiente hostil, muito antes de chegar ao Fluminense, Carlos Alberto adotava a prática de passar pó-de-arroz no rosto, antes de entrar em campo.

E não era só no Rio de Janeiro que este tipo de preconceito imperava. Em São Paulo, o famoso Friedenreich – El Tigre, como era chamado -, um mulato bem claro, de olhos verdes, tentava, também, esconder sua etnia alisando o cabelo. Primeiro untava-o com brilhantina; depois, com o pente, puxava-o para trás e, a seguir, amarrava a cabeça com uma toalha, numa espécie de turbante. Toda essa operação precisava ser realizada durante a preliminar, minutos antes do juiz apitar o início do jogo ou o resultado se perderia antes do final da partida. Muitas vezes, finalizando seus preparativos, Friedenreich atrasava a entrada do time em campo e, quase sempre, era o último jogador a pisar o gramado. O que parecia uma jogada promocional era apenas o resultado de suas manobras capilares.

Mas e Carlos Alberto? Se ele já usava pó-de-arroz como jogador do América, por que não havia repercussão? Por que os americanos não foram chamados de “pó-de-arroz”?



É importante lembrar dois aspectos: primeiro, ele era um reserva; segundo, jogava no América. Era quase um anônimo, portanto. Tão logo passou a jogar – algumas vezes – no time principal do Fluminense, o antigo hábito ganhou grande notoriedade. Surgiram versões de que a diretoria do Fluminense teria imposto essa condição para que Carlos Alberto vestisse a camisa tricolor, e as torcidas adversárias passaram a classificar como de “pó-de-arroz”. Toda vez que isso ocorria, ofendiam-se e brigavam tricolores de todas as etnias e condições sociais, sem distinção.

A verdade é que o clube nunca interferiu ou fez alguma ação alheia à vontade do próprio jogador, que já cultivava a exótica maquiagem antes de chegar à rua Álvaro Chaves. Além disso, era uma costumeira provocação entre as maiores torcidas da época, se chamar de “pó-disso” ou “pó-daquilo”: os rubro-negros eram “pó-de-mico”; os vascaínos, “pó-da-pérsia”, um remédio para vermes muito popular no início do século XX. E quando alguém queria ofender um tricolor, vinha logo com um “pó-de-arroz”. O apelido continua presente na vida dos torcedores do Flu até hoje.

Texto: Bruna Tenório e Macelle Januzzi

O sabor da tradição futebolística


Que tal ir ao Fla-Flu e ser recepcionado por Zico, em pessoa? Não o Zico jogador de futebol, mas o filho do flamenguista Antonio Esteves Filho com a tricolor Alda Quintanilha, o apelidado em questão é Arnaldo Esteves, de 55 anos, um dos proprietários que comanda o negócio ao lado dos irmãos. Mas o mascote do time do Zico não é um Urubu ou um Cartola, mas um Manequinho. Para desapontamento dos pais, Zico é Botafoguense e não abre mão da Furia Jovem Botafogo nem por mil gols.


Pois é, motivados por essa rivalidade fervorosa, o casal que começou, há mais de 30 anos, vendendo caldo de cana e água de coco no pequeno quiosque construído em um enorme terreno na Estrada Francisco da Cruz Nunes, em Piratininga, batizou o local que viria a ser uma grande pastelaria de Fla-Flu, como no sonho de Antonio. Hoje, o carro-chefe do local são os pastéis e os sabores são os mais tradicionais como carne, queijo, palmito, camarão com requeijão e napolitano. O gerente da loja e cunhado de Zico, Joni Marcos Vieira, de 39 anos, diz que o sucesso do lugar se deve, principalmente, à qualidade dos produtos e as massas, que continuam sendo preparadas na própria lanchonete e fiscalizadas de perto pelos herdeiros do estabelecimento.


O fato de estar localizada no caminho de volta do litoral faz com que a pastelaria receba um público diversificado. É possível encontrar um cliente de terno e gravata ou calça jeans e blusa, mas o público fiel é aquele “sujo de areia e sal”. Seja no verão ou no inverno, quando faz sol, a pastelaria se torna parada obrigatória do frequentadores das praias oceânicas. Em dias de clássico, empolgados grupos de torcedores se reúnem para vibrar ou chorar pelo seu time enquanto apreciam um pastel e um caldo de cana, assim como faziam Dona Alda e Seu Antonio há muito tempo, quando tudo começou.

Pastelaria Fla-Flu: Estr. Francisco da Cruz Nunes 2490, Cantagalo, Niterói - RJ
Por Vanessa Verthein, Erica Benevento, Raphael Jacques 

O Fla Flu já foi exaltado em verso e prosa e não poderia deixar de ser. O clássico  mais charmoso do Brasil  é entoado em diversos ritmos.Um deles é o  repente que  homenageou a rivalidade com irreverência , e o outro o samba de gafieira traduziu o duelo em forma de amor.
Desafio Fla x Flu
Composição : Téo Azevedo e Castanha
Letra: Caju e Castanha                                                   
Hoje nesse desafio                                   
Vai ser grande o sururu
Quero ver quem vai ganhar
Na peleja do Fla-Flu
O meu time é o Fluminense
O melhor dessa nação
Que já anda até cansado
De tanto ser campeão
E o resto da timaiada
É tudo sem expressão
O Flamengo é campeão
Timaço que vale mil
Por isso é considerado
O melhor desse Brasil
O resto não tá com nada
E só toma no funil
Esse time do Flamengo
Fede que nem um timbu
Torcedor do pé-rapado
Não se encontra no Flu
Pra completar a carniça
O seu símbolo é o urubu
Esse tal Fluminense
Chamado de tricolor
Um time de pó-de-arroz
Dando uma de Doutor
O seu bicho é bichoso
É um veado corredor
Esse tal de rubro negro
É um time fora de linha
Vive da lenda do Zico
Garnisé fora da linha
O galinho de Quintino
Já virou uma galinha
Esse Fluminense velho
Sem gente de expressão
Vive da lenda de Castilho
Goleiro sem tradição
Que de tanto levar frango
Relaxou o fiantão
O Flamengo não tem classe
A ralé tá toda do seu lado
Tá cheia de marginal
Não tem um civilizado
É um time sem futuro
De gigolô e viado
O Flamengo é o povão
Fluminense só tem lôla
Um time de cafetão
Pó-de-arroz usa ceroula
Uma turma de ximbungo
Paruara e baitola
E esse tal de Flamengo
É uma dança espanhola
Uma mulher do pé grande
Tocando uma castanhola
O cantor fica rinchando
parece fraca da bola
Esse tal de tricolor
É poema sem ter rima
Um time de sapatão
Que o mengo passa a lima
Só vive com o mucumbo
Arrebitado pra cima
Se você é flamenguista
Procure seu lugar
Que esse tal de Flamengo
Não tem mais o que acabar
O Flamengo já morreu
Tá faltando se deitar
Fluminense já tá morto
Virou uma baixaria
E a torcida agora
Só vive de fantasia
por que o time do Flu
Virou uma porcaria
Está tudo zero a zero
Fla e Flu é meu companheiro
Dois times de tradição
Aqui no Rio de Janeiro
Honrando o futebol
Do nosso chão brasileiro.



Fla x Flu
Composição: Arlindo Cruz e Franco
Alcione
Abri Meu Domingo numa cerva lá no bar do Edú
Tira gosto de moela pra lembrar da minha dor
Eu pensava na Guiomar para ser o meu meia amador
Nosso amor era um Maracanã em dia de Fla X Flu
Pra começar me dava bola o tempo todo sem parar
Me deixava louco para cruzar
toma lá dá cá
Matava no peito, descia pra coxa, tocava no meio voleio e gol
O jogo só podia empatar
Pois é
Tava muito mais para urubu do que pra pó de arroz
Tava 2X2, mas no final você me atrasou
Convocando a linha burra
Me parou, me derrubou
Foi dizendo que a "Guiõ"
Comigo sempre pichotou
Ai eu ti fiz de juiz, apontei teu nariz e xinguei tua mãe
O coro da turma da geral atenta repetiu
Te peguei de primeira te dando rasteira
Rachei só pra dividir
A galera gritou Uf!
É foi só porrada, foi só garrafada
A arquibancada ficou à Bangu
Acabei em cana num Fla X Flu
Pois é ...
Fonte:
Por: Juliana Souza

A Fé que move torcedores em dia de decisão — e de aperto

Foto/Reprodução: http://bicudanabola.blogspot.com
Na hora do aperto, os torcedores atiram pra todos os lados. É reza forte, mandinga, promessa, patuá, santinho. Tem de tudo. E se tratando do FLA X FLU não haveria de ser diferente.  Levando em consideração o amor ao futebol, torcedor cheio de fé é o que não falta por aí.

Devoção rubro-negra

Os flamenguistas lotam a igreja de São Judas Tadeu, padroeiro do time, conhecido como o santo das causas impossíveis, em vésperas de decisão. “E olha que funciona”, brinca Ana Paula, jornalista e torcedora fervorosa do rubro-negro carioca, que admite fazer uma fezinha a mais em dias de jogos decisivos. Além disso, a moça não sai de casa sem sua medalhinha de São Judas Tadeu e afirma que a vitória nos pênaltis do último dia 24 de abril teve a ajuda do santo. “O Felipe defendeu duas bolas. Isso é coisa divina. Defender pênalti é super difícil”.

Foto/Reprodução: globoesporte.globo.com
 Tudo começou em 1953, quando o Padre Góes, pároco da Igreja de São Judas Tadeu no Cosme Velho, foi chamado à Gávea para rezar uma missa pro rubro-negro. Nessa ocasião o Flamengo completaria nove anos sem ganhar um título, então, o Padre Góes pediu aos torcedores que tivessem fé, e fossem a igreja de São Judas Tadeu para acender uma vela pro santo. E funcionou. O Flamengo ganhou o título de Campeão Carioca em 1953. Coincidência ou não, o feito se repetiu por mais dois anos consecutivos, e o virtuoso ganhou a devoção dos rubro-negros se tornando o padroeiro do time.

A história causou desconforto para os torcedores e dirigentes do Tricolor das Laranjeiras que protestaram contra o padre Flamenguista e chegaram a enviar um abaixo-assinado ao Cardeal Dom Jaime Câmara, alegando que os Tricolores também eram devotos de um santo que estava ajudando outro clube a vencer.


Dupla proteção ao Tricolor
Foto/Reprodução: globoesporte.globo.com

Reclamações à parte, o Tricolor tem fé redobrada. Além de Nossa senhora da Glória, que é a padroeira do time, o Fluzão ganhou, oficialmente em 2010, um novo protetor, o ex-pontífice João Paulo II. Isso se deu por conta da visita do papa em 1980 quando recebeu da mão de um menino de 10 anos, uma camisa do tricolor carioca ganhando a simpatia dos torcedores. O papa João Paulo II tem tanta importância para o Fluminense, que no FLA X FLU que sucedeu a morte do pontífice, na decisão da Taça Rio em 2005, cerca de 30 mil tricolores fizeram um minuto de silêncio e entoaram "A Bênção João de Deus" emocionados. Com essa demonstração de fé, o Fluminense goleou o Flamengo em 4x1, se tornando o campeão da competição naquele ano.


Independente de vestir a camisa de um ou de outro, os torcedores estão muito bem amparados quando o assunto é padroeiro. E uma coisa é certa: se depender da fé da torcida, Flamengo e Fluminense serão sempre campeões.

por Érica Benevento

Mário Filho, O Criador das Multidões


Mário criou a mitologia do futebol brasileiro.
Com seu estilo literário simples, profundo e irresistível,
narrou de forma lírica, dramática e bem humorada a história
de ascensão e queda dos grandes ídolos e as batalhas épicas
dos grandes clássicos do futebol carioca.

            Assim como Pelé é o rei do futebol mundial, o jornalista Mário Filho é o rei da crônica esportiva mundial. Sua obra é considerada única em termos universais. O que era a crônica no esporte antes dele? Para seu irmão, o dramaturgo Nelson Rodrigues: “Estava nas cavernas, na pré-história. Simplesmente não era. Simplesmente não existia”.
            Antes do surgimento das crônicas do jornalista, as notícias veiculadas nos jornais sobre futebol limitavam-se apenas a relacionar, em poucas linhas, as presenças sociais de cartolas e ilustres. A abordagem era tão formal e cheia de expressões inglesas que mantinha uma distância significativa entre o torcedor e o esporte. Em 1925, quando Mário Filho começou a escrever nos jornais A Crítica e A Manhã, tudo passou a ser diferente. Suas crônicas valorizavam o futebol com uma linguagem de leitura irresistível, que captava o imaginário do torcedor e incrementava a sua paixão pelo esporte. Mário inventou a imprensa esportiva brasileira e levou o futebol para a primeira página dos jornais, registrando a transformação de um desporto de elite em esporte de massa. Ele também detectou, através do jogo da bola, sintomas de transição da sociedade da época, que passava a aceitar de forma progressiva a inclusão de negros, mestiços e brancos pobres.
            O jornalista Mário Filho sempre teve a preocupação de transportar para o jornal aquilo que viria a ser a crônica, o conto e o romance. Suas reportagens, sempre feitas à mão, eram um êxtase para a multidão. De estilo literário simples, profundo e irresistível, iluminou a forma e as jogadas de gênios como Jaguaré, Leônidas, Garrincha e Pelé. Criador da mitologia do futebol brasileiro, durante 40 anos escreveu de maneira lírica e dramática, eternizando a ascensão e queda de grandes craques. Torcedor do Fluminense, assim como toda sua família, resolveu deixar de torcer pelo clube ou por qualquer outro para se tornar imparcial em suas análises. Escreveu diversos livros, como “Copa Rio Branco”, “Histórias do Flamengo”, “O Negro no Futebol Brasileiro” e “Copa do Mundo de 62”.
            Além de cronista, o pernambucano Mário Rodrigues Filho comandou as redações de O Globo e do Jornal dos Sports. Inventou no Jornal Mundo Esportivo o primeiro concurso de escolas de samba da cidade do Rio de Janeiro, em 1932; promoveu os Jogos Infantis e os Jogos da Primavera, verdadeiras olimpíadas entre milhares de jovens; criou o campeonato de peladas do Aterro, considerado o maior do mundo; organizou o torneio de futebol Rio-São Paulo e criou a mística do clássico Fla x Flu, seu preferido. Em 1950, quando o país foi escolhido para sediar a Copa do Mundo, o jornalista liderou a campanha para construção daquele que, segundo ele, seria o maior estádio do mundo (sua capacidade atual é de 90 mil pessoas). Graças a seu papel na popularização do esporte, conseguiu convencer a opinião pública de que o antigo Derb-Club, na Tijuca,  era o lugar perfeito para a instalação. Na época, Mário bateu de frente com os vereadores udenistas, Carlos Lacerda e Ari Barroso, que apontavam o distante bairro de Jacarepaguá como o local ideal para a construção do espaço. Por seu feito, ganhou do dramaturgo Nelson Rodrigues o título de “O Criador das Multidões”. Em 1966, ano de sua morte, o Estádio Municipal do Maracanã foi batizado com o seu nome - Estádio Jornalista Mário Filho.   


Romeu, do Fluminense, e Leônidas, do Flamengo

"Popular era Leônidas, o inventor da bicicleta. Mais do gosto do brasileiro. Pouco importava que ele se metesse em escândalos, que não se pudesse contar muito com ele. Talvez, inclusive, essa volubilidade de Leônidas ajudasse, tornando-o ainda mais querido. O clube que o tivesse precisava conquistá-lo todos os dias, todos os jogos. Já um Romeu Peliciari, mal comparando, era o marido que levava o embrulho de manteiga para casa, vivendo só para a família, nunca foi popular. E era brilhante, fazia da bola o que queria, e tinha manhas bem brasileiras. Bastava dizer que a melhor definição do “dribling”, a carioca, a mais gostosa, veio dele e não de Leônidas. Foi de Romeu o vai mais não vai, que é o “dribling” todo. Ele fingia que ia e não ia, e, às vezes, ia mesmo, sempre fazendo o que o outro não esperava que ele fizesse. Foi o que ficou dele, como quase a única contribuição. De quando em quando a gente vê um jogador dançar o vai mais não vai. Mas Romeu jogava grave, de cara amarrada, concentrado, não fazia as surpresas, como de mágico, de Leônidas da Silva, não plantava bananeiras, não dava bicicletas. E o povo queria era isso, o discurso de praça pública, o improviso, a anedota, o passo de samba, a viagem do capoeira" (Mário Filho)

“Foi o primeiro jornalista a dar destaque, ainda na crítica, à parte humana do futebol (...) Como disse seu irmão Nelson Rodrigues, Mário foi tão grande que deveria ter sido enterrado no Maracanã”. (Mário Neto)  

“A obra de Mário Filho é importantíssima para se entender a história social do futebol e, mais do que isso, a história social do próprio país, nossos fundamentos, nossos dilemas, nossas contradições e nossas dúvidas”. (Maurício Murad)


Por Aline Leite

O Fla-Flu de Nelson Rodrigues


Em 1919 Nelson Rodrigues descobriu o Fluminense e essa paixão levada pela emoção se deu após o primeiro ano do Tricampeonato do Tricolor .Como cronista esportivo, o autor escrevera textos sobre seu time do coração, pelo qual ele torcia fervorosamente sendo em sua maioria, publicados no Jornal dos Esportes. Junto com Mário Filho, Nelson foi fundamental para que os Fla-flu conquistassem o prestígio no qual conquistaram e se tornassem grandes clássicos do futebol brasileiro. Por isso, não podiamos deixar de mencionar esse brilhante autor que foi um dos maiores responsáveis pela valorização do clássico e da história do futebol. Abaixo,uma das principais citações sobre o Fla-Flu de Nelson Rodrigues:


Fla-Flu
(por Nelson Rodrigues)

Reacionário, no meu caso, é a reação contra tudo o que não presta. Se o homem não fosse eterno, ou não tivesse uma alma eterna, não tivesse garantido a sua eternidade, esse homem andaria de quatro. Toda manhã sairia de quatro, ferrado, aí pelas ruas e montado num Dragão de Pedro Américo. Eu diria, quando me perguntam, como você agora: mas quando, quando começou o Fla-Flu? Eu diria: - O Fla-Flu não tem começo. O Fla-Flu não tem fim. O Fla-Flu começou quarenta minutos antes do nada. E aí então as multidões despertaram. E Mário Filho, já então, antes do Paraíso, escrevia sobre o Fla-Flu e dizia que o Fla-Flu ia ser o assombro do futebol, o milagre do futebol.

Marcos de Mendonça, Fortes, Vidal e Chico Neto eram os heróis, os verdadeiros heróis. Mais que o cow-boy, mais que o mocinho, mais que o próprio bandido. O futebol era a epopéia, o épico, compreendeu? … Eu me lembro, uma vez andava na rua, era um garoto de calças curtas, tinha cinco anos, quando passou um jogador de futebol. Eu não sei, devia ser Lais ou Manga, que morreria em 22, ou Welfare. Eu sei que aquilo para mim foi um espanto, eu corri para dentro de casa como se estivesse sendo ungido de glória, de glórias fantásticas.

O Fla-Flu, já me dizia o meu irmão Mário Filho, o Fla-Flu é um jogo para sempre, não é um jogo para um século, um século é muito pouco para a sede e a fome do Fla-Flu… Começado o Fla-Flu, ele percorreria o tempo dos tempos. Foi uma criação do meu irmão Mário Filho, ele que era o gênio da crônica esportiva, ele era o autor de piadas fantásticas. Ele se lembrou de fazer Fla-Flu, tinha notado que Fla-Flu possuía uma flama, uma trepidação que nenhum outro jogo possuía. Até hoje em todo o mundo não há um jogo que chegue aos pés do Fla-Flu. Que é cada vez mais empolgante. E cada jogo entre o Fluminense e o Flamengo parece ser o maior do século e será assim eternamente.

E então, o Welfare pegou sua bola fora da área e encheu o pé, foi um estrondo. O nosso amigo keeper, o goleiro quis defender, foi atirado no fundo da rede como se também fosse uma bola, foi radiante, foi uma coisa incrível e a nossa torcida, naquele tempo em treino também havia torcida, a nossa torcida ficou naquela euforia louca com este gol. Este gol nunca eu me esqueci. Agora neste momento eu estou vendo o campo do São Cristóvão e a bomba de Welfare. Há gols que atravessam os tempos que atravessarão os séculos. E por isso que digo que o futebol vive de eternidade e por isso não acaba nunca, não acabará nunca. Ou tudo se acaba, menos o Fla-Flu.

E depois, o futebol é a pátria da piada. O sujeito vai para a arquibancada, que além de ser a pátria do palavrão é uma pátria da piada, uma pátria da graça popular das graças que vem das profundezas do nosso querido povo. A pessoa fica criando, inventando até palavrões.

De vez em quando, eu ouço das arquibancadas um palavrão que não conhecia, que ninguém conhecia, e o sujeito sai com um palavrão novo e uma satisfação profunda. Só o futebol é que te dá isso, essas surpresas maravilhosas.

Porque o futebol é uma linguagem universal. Todo mundo entende de futebol. Você pega uma velhota grã-fina, ela sabe discutir futebol com você. A grã-fina das narinas de cadáver, por exemplo, esta, até esta, que foi a primeira que não entendeu de futebol, e ela entrou um dia no estádio Mário Filho e disse: "Quem é a bola?". Aí, todo mundo apontou para a bola e ela ficou ali radiante e passou a ser uma enciclopédia de futebol. Esse é o problema do futebol. E que não tem problema nenhum de compreensão…

Chegamos ao fim de nossa longa conversa, não é?… Eu sou um brasileiro triste! É, um brasileiro triste, o brasileiro, diga-se de passagem, de uma maneira geral, não sou eu só, está sempre a um milímetro da melancolia, na esquina, no boteco, ele está sempre roendo melancolias milenares. E aí nós acabamos.

Nelson Rodrigues


Por Luana Lima